quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cultura Egípcia:

Do Livro: COSMOLOGIA EGÍPCIA – O UNIVERSO ANIMADO (De: Moustafa Gadalla ; Editora MADRAS)

O historiador grego Heródoto (500 a.C) afirmou: “De todas as nações do mundo, os egípcios são os mais felizes, os mais saudáveis e os mais religiosos.” A excelente condição dos egípcios era atribuída à aplicação da realidade metafísica à sua vida diária, ou seja, a consciência cósmica total. As cenas de atividades diárias encontradas nas tumbas egípcias mostram uma correlação forte e perpétua entre a terra e o céu. As cenas são representações gráficas de todos os tipos de atividade: caça, pesca, agricultura, tribunais e todos os tipos de arte e artesanato. A reprodução dessas atividades diárias, na presença dos Neteru (Deuses) ou com seu auxílio, significa sua correspondência cósmica. Esta correlação eterna – consciência cósmica – foi reafirmada no Asclepius III (25) dos Textos Herméticos: “... no Egito, todas as ações das forças que governam e atuam nos céus foram transferidas para a terra... mas deve-se dizer que todo o Cosmos habita no Egito como em seu santuário.”. Todas as ações, não importa o quão mundanas, de alguma forma correspondiam a um ato cósmico: a aragem, o plantio, a colheita, a fabricação da cerveja, o tamanho de um copo de cerveja, o formato de uma pirâmide, a construção de navios, os combates, os jogos – todas eram vistas como símbolos terrenos das atividades divinas. No Egito, o que hoje chamamos de religião, era tão amplamente reconhecido que nem mesmo necessitava de um nome. Para eles, não havia diferenças palpáveis entre o sagrado e o mundano. Todo o seu conhecimento, baseado na consciência cósmica, estava implantado em suas práticas diárias, que se tornaram tradições.
Os egípcios antigos acreditavam em um Único Deus que criou e concebeu a si mesmo, e que era imortal, invisível, eterno, onisciente, todo-poderoso, etc. Este Único Deus nunca era representado, as funções a atributos de seu domínio eram representados. Estes atributos eram chamados de Neteru. Somente é possível definir Deus através da multiplicidade de “seus” atributos/qualidades/poderes/ações.  Esta é a única maneira lógica, pois, por exemplo, referir-se a uma pessoa como sr.X não significa nada. No entanto, ao descrever seus atributos e qualidades, podemos conhece-lo. Durante seu reinado, o faraó Akhenaton pretendeu resumir todos esses atributos em um só – Aton. (*Mas sua idéia não seguiu adiante com seus sucessores.)
A cosmologia egípcia baseia-se em princípios científicos e filosóficos coerentes. O conhecimento cosmológico do Antigo Egito foi expresso no formato de uma história.  As bem-elaboradas histórias de mistério egípcias são um meio intencionalmente escolhido de transmitir conhecimento. Quanto mais são estudadas, mais se enriquecem, e, enraizadas como está na narrativa, a parte nunca se confunde com o todo, da mesma forma que seu significado funcional não é esquecido nem distorcido. Os contadores de história eram pessoas especialmente qualificadas que tinham a incrível responsabilidade de ser – Maa Kheru (Voz da Verdade). Citamos aqui três assuntos diferentes que são explicados por meio de histórias, usando quatro conceitos personificados:
Ausar (Osíris)
Auset (Ísis)
Heru (Hórus)
Set (Seth)
1-Os quatro elementos do mundo (água, fogo, terra e ar) conforme citação em Moralia, Vol V de Plutarco: “Os egípcios dão o nome de Ausar (Osíris) a toda fonte e faculdade que criam a umidade, acreditando que esta era a origem e a substância da semente originária da vida. O nome de Set (Tífon em grego) deram a tudo o que é seco, fogoso e árido, em geral, e antagônico à umidade. Como os egípcios consideram o Nilo o derramamento de Ausar, acreditam que a terra é o corpo de Auset (Ísis), mas não toda a terra, apenas a parte coberta pelo Nilo, fertilizando-a e unindo-a a ele. Desta união, surge Heru (Hórus). Hora, que tudo conserva e nutre, isto é o abrandamento sazonal do ar ao redor, é Horu (Hórus). A esquematização traiçoeira de Set (Tífon), então, é o poder da seca, que controla e dissipa a umidade, que é a fonte do Nilo e de sua cheia.”
2-A estrutura do modelo social é expressa na lendária história de Ausar e Auset, seu filho Heru e seu tio set.
3-O papel cósmico da trindade/tríade/triângulo é expresso na relação entre o pai (Ausar), a mãe (Auset) e o filho (Heru), que é análogo ao triângulo-retângulo.
Todas as histórias cósmicas do Antigo Egito são impregnadas com a estrutura da sociedade. Em outras palavras, ela deve conduzir suas práticas de acordo com os mesmos princípios cósmicos presentes nessas histórias. A história mais comum pata todos os egípcios é a de Ausar (Osíris) e sua família. Entre todas as descobertas arqueológicas, não existe nenhum registro completo dessa história. O que conhecemos dessa lenda chegou-nos por meio de diversas versões escritas pelos primeiros escritores gregos e romanos, e a mais comum é a versão contada por Plutarco.

O MODELO DE CRIAÇÃO EGÍPCIO

A seguir, mostramos uma versão resumida do modelo egípcio:
Todos os textos egípcios sobre a criação começam com a mesma crença básica de que antes do início das coisas, havia um abismo primitivo líquido – por todos os lados, sem fim e sem fronteiras ou direção. Os egípcios denominaram este oceano cósmico/caos aquoso de  Nu/Ny/Nun – estado da matéria não polarizado. Nu/Ny/Nun é o “Ser Subjetivo” símbolo da energia/matéria não formada, indefinida, não diferenciada, inerte ou inativa, o estado não criado antes da criação, não pode ser a causa de sua transformação.
Atum, que criou a si mesmo, cuspiu os gêmeos Shu e Tefnut, que por sua vez, deu à luz Nut (o céu) e Geb (a terra/matéria). A união de Nut e Geb produziu quatro filhos, Ausar (Osíris), Auset (Ísis), Set (Seth) e Nebt-Het (Néftis).
A história conta que Ausar casou-se com Auset, e Set casou-se com Nebt-Het. Ausar tornou-se rei da terra (Egito) após seu casamento com Auset.
(Comentário do autor: a história cria a base da sociedade matriarcal/matrilinear. Auset é a herdeira legítima. A história de Ausar (Osíris) e Auset (Ísis) é a história de amor. Com Ausar e Auset existe uma polaridade harmoniosa: irmão e irmã, almas gêmeas, marido e mulher. Isto é reflexo da crença dos antigos e dos Baladi sobre as duas terras. O termo em egípcio antigo para irmão e marido é a mesma palavra, sn, assim como sn.t significa irmã e mulher. Portanto, é preciso ter cuidado ao ver sn ou sn.t em alguns textos, e não tirar conclusões sobre incesto e similares. )
Tanto Ausar (Osíris) quanto Auset (Ísis) eram adorados pelos egípcios, porém seu irmão Set (Seth) odiava Ausar e tinha ciúmes de sua popularidade. Set arranjou uma briga com Ausar, assassinou-o e cortou seu corpo em 14 pedaços (um para cada noite de lua minguante), e espalhou-o por todo o Egito.
(Comentário do autor: Ausar é associado à lua crescente e à lua minguante e com a natureza cíclica do Universo. )
Auset partiu em busca dos pedaços de seu amado Ausar.
Depois da morte de Ausar, Set, como marido de Nebt-Het, tornou-se rei do Egito, e governou como um tirano. Auset, a esposa fiel de Ausar, encontrou todas as partes do corpo do marido, exceto o falo, que havia sido engolido por um peixe. Ela reconstituiu o corpo, criando a primeira múmia egípcia. Ausar e Auset não tinham filhos quando ele morreu, porém, por meio de meios místicos, a múmia de Ausar ressuscitou por uma noite e dormiu com Auset (equivalente a ser impregnado pelo Espírito Santo). Como resultado, Auset concebeu um filho, que foi chamado de Heru (Hórus) e que foi criado secretamente às margens do Delta do Nilo.
- Essa ação simboliza a reencarnação e o renascimento espiritual; um elemento chave para a compreensão da crença egípcia na vida após a morte. A concepção sobrenatural e o nascimento virginal de Heru também foram incorporadas pelo Cristianismo. –
Quando Set descobriu a respeito da criança (Heru), tentou matar o recém-nascido. Ao saber que Set estava a caminho, Auset escondeu seu filho em Buto.
Quando cresceu, Heru (Hórus) desafiou Set pelo direito ao trono. Heru e Set vivenciaram muitas batalhas e desafios e, por fim, tanto Heru (o Ausar ressuscitado) e seu tio Set foram ao conselho de Neteru para determinar quem deveria ser o governante e os dois apresentaram seus casos. O Conselho de Neteru decidiu que Ausar/Heru deveria reassumir o trono no Egito, e Set deveria reinar sobre os desertos/áreas baldias.
(Comentário do autor: A força física não decidiu o resultado da “Grande Luta”; a disputa entre Heru e Set; mas um júri formado por seus semelhantes resolveu o problema. O acordo e o princípio da co-existência pôs um fim no conflito. )
Durante a batalha, Set arrancou o olho de Heru e jogou-o no oceano celestial. Tehuti (Toth) recuperou o olho que, posteriormente, foi identificado com a lua e tornou-se um símbolo de proteção muito popular. Heru usou este Olho para reviver seu pai adormecido e Ausar ressuscitou como uma alma para governar o Mundo dos Mortos. Para os Egípcios, Ausar tornou-se o espírito do passado, o Neter (Deus) dos Mortos e uma esperança para a ressurreição e a vida após a morte.
Outra versão da história conta que assim que soube da tragédia, Auset (Ísis) partiu em busca dos fragmentos do corpo do marido, embalsamou-os com o auxílio do neter, Anbu (Anúbis), enterrou-os onde foram encontrados e criou santuários nesses locais. Segundo essa versão da história, a cabeça de Ausar (Osíris) foi enterrada em Abtu (Abidos), o coração, na ilha de Philae, perto de Assuan, e o falo foi jogado no Nilo e engolido por um peixe. Por isso, os sacerdotes eram proibidos de comer peixe.

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Maat, A ordem Cósmica:
Para o religioso povo do Egito, a criação do Universo não foi um evento físico que simplesmente aconteceu, e sim, um evento ordenado, pré-planejado e executado de acordo com uma Lei Divina ordenada que governa os mundos físico e metafísico. Por isso, lemos no Livro para Conhecer a Criação de Rá e Destruir Apep (Apophis), conhecido como Papiro de Bremner-Rhind: “Não havia ainda encontrado um local para me assentar. Concebi o Plano Divino da Lei e da Ordem (Maa), para criar todas as formas. Estava sozinho, ainda não havia cuspido Shu, e não havia cuspido Tefnut. E não havia niguém que pudesse atuar comigo.”
Maat é a Netert (Deusa) que personifica o princípio da ordem cósmica, o conceito pelo qual não só os homens, mas também os Neteru (Deuses) são governados, e sem o qual os Neteru (Deuses) são inúteis.

Amen, A força Oculta:
Os egípcios afirmavam que não era possível explicar a criação de dentro dela, somente estando exterior a ela. O Criador não é o Universo criado. No papiro egípcio conhecido como Papiro Leiden, o Neter (Deus) Amen/Amon/Amun (que significa “escondido”) representa a força escondida ou oculta em que se baseia a criação. Ele é o Sopro da Vida. Apesar de indefinível, é a razão pela qual o Universo pode ser definido. O termo egípcio mais próximo a Deus é Amen-Renef (Aquele Cuja Essência Verdadeira é Desconhecida).

Tornando-se Um:
A criação é a descoberta (definir a/ordenar a) de todo o caos (a energia/matéria não diferenciada e consciente) do estado primitivo. Todos os relatos do Antigo Egito sobre a criação demonstravam isto em etapas claramente demarcadas e bem definidas. A primeira delas foi a autocriação do Ser Supremo como criador e Ser, isto é, a passagem do ser subjetivo (Nu/Ny/Nun) para o Ser Objetivo (Atum). Em termos humanos simples, isto equivale ao momento de passagem do estado de sono (estado inconsciente, ser subjetivo). Assemelha-se a estar em solo firme. Esta etapa da criação era representada pelas sagas egípcias, por exemplo, a história de Atum originar-se de Ny/Ny/Nun. Nos Textos de Unas (chamados Textos das Pirâmides) há a seguinte invocação: “Salutamos a vós, Atum, Salutamos a vós, aquele que se torna a si mesmo! Vós sois ao alto em vosso nome o Altíssimo; Vós tornais a si mesmo em vosso nome Khepri (Aquele que torna a si mesmo).
A sequência da criação é encontrada em muitos textos do Antigo Egito, sendo que a mais detalhada e claramente descrita está no já mencionado Papiro de Bremner-Rhind, que data do século IV a.C (e que acredita-se ser uma reprodução de um texto do Antigo Reinado, baseado no seu estilo de escrita). Uma porção deste papiro, conhecida como Livro para Conhecer a Criação de Rá e Destruir Apep (Apophis) diz: “- Concebi em meu coração, criei diversas formas de seres divinos, como as formas dos meus filhos e dos filhos dos meus filhos... – Criei o desejo com minha mão; copulei com minha mão, expeli com minha boca. Cuspi Shu e cuspi Tefnut... – Depois de me tornar um Neter (Deus), havia (então) três Neteru (Deuses) além de mim... – Criei todas as cobras, e tudo o que foi criado com elas.”

- O texto acima refere-se, entre outras coisas, aos seguintes conceitos do Antigo Egito: A criação como um Big-Bang, com a separação de partes (filhos) e partes menores (filhos de seus filhos). A dualidade da criação simbolizada por Shu e Tefnut. O conceito da Trindade (“Depois de me tornar um Neter, havia então três Neteru além de mim”). A criação de espaço/volume, onde o Universo deve se manifestar, sendo que as cobras simbolizam o delineamento espacial.


RA - AUSAR o Ciclo Perpétuo :

Os egípcios viam o Universo como um dualismo entre Maat - Verdade e Ordem – e a desordem. Amen-Renef convocou o Cosmo a partir do caos não-diferenciado ao distinguir ambos, dando voz ao ideal da Verdade. Maat, é normalmente retratado no formato duplo. O princípio dualista no estado da criação foi expresso pelo par Shu e Tefnut. O par formado por marido e mulher é o modo egípcio característico de expressar a dualidade e a polaridade. Esta natureza dualista manifestava-se nos textos e tradições do Antigo Egito, conforme mostram as descobertas arqueológicas. Mesmo os textos mais antigos do Antigo Reinado, conhecidos como Textos das Pirâmides, expressam a natureza dualista: “... e cuspiste como Shu e cuspiste como Tefnut”. Esta é uma analogia poderosa porque usamos o termo “cuspido e escarrado” para dizer que algo é exatamente igual a seu original. Outra forma de expressar a intenção da natureza dualista está presente no texto do Antigo Egito conhecido como Papiro de Bremner-Rhind: “Fui anterior aos Dois Anteriores que criei, pois tinha prioridade sobre os Dois Anteriores que criei, visto que meu nome é anterior ao deles, porque criei-os antes dos Dois Anteriores...”
Neheb Kau – que significa “o provedor das formas/atributos”, era o nome dado à serpente que representa a primordial no Antigo Egito, Neheb Kau é retratado como uma serpente de duas cabeças, indicando a natureza dualista espiral do Universo.
O faraó egípcio sempre era chamado de “Senhor das Duas Terras”. Os acadêmicos ocidentais afirmam que as Duas Terras eram o Alto e o Baixo Egito. Não existe nenhuma referência que confirme essa afirmação, ou que ao menos defina esta fronteira entre Alto Egito e Baixo Egito nos textos do Antigo Egito. Por todos os templos do Antigo Egito, é possível encontrar numerosas representações simbólicas relacionadas com a cerimônia de União das Duas Terras, na qual são mostrados dois Neteru amarrando o papiro e flores de lótus. Nenhuma das plantas é nativa de uma área específica do Egito. A representação mais comum mostra os Neteru gêmeos, Hapi (uma imagem espelhada de cada um deles), ambos como unissex com um único seio. O termo “Duas Terras” é muito familiar aos egípcios Baladi, que referem-se a ele em sua vida diária. Eles acreditam fortemente que existem Duas Terras – uma é aquela em que vivemos e a outra é onde vivem nossos gêmeos idênticos (do sexo oposto). Ambos sujeitam-se às mesmas experiências desde a data de nascimento até a data da morte. Você e seu gêmeo “siamês”, que “aparentemente” separam-se no nascimento, serão reunidos novamente no momento da morte. Os Enumeradores Egípcios Baladi, em suas lamentações, depois da morte de uma pessoa, descrevem como o falecido é preparado para unir-se a seu sósia (do sexo oposto), como se fosse uma cerimônia de casamento. Isto é remanescente das muitas ilustrações simbólicas da amarração entre as Duas Terras. Casar é atar os laços do matrimônio. Em textos tão antigos quanto os Textos de Unas (Os Chamados “Textos das Pirâmides”), descobrimos que o faraó Unas (2356-2323 a.C) une-se/ junta-se a Auset imediatamente após deixar o mundo terreno. Isto baseia-se na premissa de que já que todos os homens são Ausar em sua forma “morta”, todos se unem a seu sósia (Auset, no caso dos homens) no momento de partir do mundo terreno.
O ciclo perpétuo da existência – o de vida e morte – é simbolizado por Ra (Re) e Ausar (Osíris). Ra é o Neter Vivo que desce à morte para tornar-se Ausar – o Neter dos mortos. Ausar ascende e volta à vida como Ra. A criação é contínua: é um fluxo de vida que caminha em direção à morte, e Ausar representa o processo do renascimento. Assim, os termos da vida e da morte significa a ressurreição a uma nova vida. A pessoa morta, na morte, identifica-se com Ausar, mas ressuscitará e será identificada com Ra. O ciclo perpétuo de Ausar e Ra domina os textos do Antigo Egito, como:
No “Livro para Sair à Luz”, tanto Ausar quanto Ra vivem, morrem e renascem. No Mundo dos Mortos, as almas de Ausar e Ra encontram-se, e unem-se para formar uma entidade, descrita eloquentemente: “Sou suas Duas Almas em Seus Gêmeos”. No capítulo 17 do “Livro para Sair à Luz”, o morto, identificado com Ausar, diz: “Sou o ontem, conheço o amanhã.” E o comentário egípcio sobre essa passagem explica: “O que é isto? – Ausar é ontem, Ra é amanhã?”
Na tumba da rainha Neferti (mulher de Ramsés II) há uma famosa representação do Neter solar (Deus) dos mortos, como um corpo mumificado com uma cabeça de carneiro, acompanhada de uma inscrição, à direita e à esquerda: “Este é Ra que descansará em Ausar. Este é Ausar que descansará em Ra.”
A “Litania de Ra” é basicamente uma ampliação detalhada de uma curta passagem do Capítulo 17 do “Livro para Sair à Luz”, descrevendo a fusão de Ausar e Ra em uma Alma-Gêmea.
Os eternos opostos, Set (Seth) e Heru (Hórus), têm papeis semelhantes nas representações de ritos simbólicos relacionados à cerimônia da “União das Duas Terras”, retratados nos relevos das pedras em Lisht, perto de Men-Nefer (Mênfis). O simbolismo é poderoso, pois os dois opostos são o Um em um estado polarizado, no qual Set personifica o desejo não desenvolvido e Heru, o desejo em desenvolvimento.
Tanto Heru quanto Tehuti (Toth) são mostrados em diversas ilustrações nos templos do Antigo Egito realizando a simbólica União das Duas Terras. Heru personifica a consciência, a mente, o intelecto e é identificado com o coração. Tehuti personifica a manifestação e a entrega e é identificado com a língua. Pensamos com o coração e agimos com a língua. Essas exigências complementares foram descritas na Estela de Shabaka (716-701 a.C): “O Coração pensa em que desejas e a Língua realiza o que desejas.”

Um dos títulos do rei egípcio era “Senhor da Diadema do Abutre e da Serpente”.  O diadema é o símbolo terreno do homem divino, o rei, e é formado pela serpente (símbolo da função intelectual divina) e o abutre (símbolo da função reconciliatória). A serpente representa o intelecto, a facilidade, por meio da qual o homem divide o todo em partes constitutivas, como a serpente que engole a presa inteira, e faz a digestão ao dividi-la em partes digeríveis. Um homem divino deve conseguir distinguir e reconciliar. Já que essas forças dualistas residem no cérebro dele, o formato do corpo da serpente (no diadema) segue as suturas fisiológicas do cérebro, onde essas faculdades especificamente humanas se encontram. Esta função dualista do cérebro é vivida em ambos os lados. A parte do diadema que fica no meio da testa representa o terceiro olho, com todas as suas faculdades intelectuais.

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Animismo e Simbolismo:

Há muito tempo os antigos egípcios e os Baladi reconhecem a presença de energia em todas as coisas. A existência de energias cósmicas (neteru) em cada pedra, mineral, madeira, etc., é claramente mostrada na Estela de Shabaka (século VIII a.C).
“Então os neteru (deuses) entraram em seus corpos, através de todos os tipos de madeira, mineral, argila, todas as coisas que crescem nele (terra).”
A matriz de energia universal (no estado anterior à criação conhecida como Nun/Ny/Nu) cerca o mundo como um produto de um complexo sistema de relações entre as pessoas (vivas e mortas), animais, plantas e fenômenos naturais e sobrenaturais. Essa teoria é normalmente chamada de Animismo, devido à sua premissa central de que todas as coisas são “animadas” (energizadas) por forças vitais. Cada minúscula partícula em todas as coisas está em constante movimento, isto é, energizada, como reconhecido pela teoria cinética. Em outras palavras, todas as coisas são animadas (energizadas), os animais, as pedras, os pássaros, até o ar, o sol e a lua. Já que o Universo criado é ordenado, sua matriz de energia também o é, como uma máquina bem lubrificada, com nove mecanismos interagentes e interpenetrantes, os Nove Mundos. Os antigos egípcios e os Baladi acreditam que a matriz de energias universal é formada por nove mundos, que são normalmente classificados como sendo sete céus (mundos metafísicos) e duas terras (mundos físicos). Os seres que são mais conscientes espiritualmente habitam um nível superior e as almas menos evoluídas, um nível inferior. (Podendo subir ou descer os níveis conforme o desenvolvimento espiritual.)
Os neteru (deuses) são a personificação das energias/poderes/forças que criaram, mantiveram e continuam a manter o Universo, por meio de suas ações e interações. Os neteru e suas funções posteriormente foram denominados de “anjos”. O Cântico de Moisés, no Deuteronômio (32:43), encontrado em uma caverna em Qumran, próximo ao Mar Morto, menciona a palavra deuses no plural: “Louvai, é céus, com ele e honrem-no, é deuses”. Quando a passagem é citada no Novo Testamento (Hebreus, 1:6), a palavra “deuses” é substituída por “anjos de Deus.”
No simbolismo egípcio, o papel preciso dos neteru (deuses) era revelado de várias maneiras: através de vestimentas, ornamentos de cabeça, coroas, plumas, animais, plantas, cores, posições, tamanhos, gestos, objetos sagrados, ou tipo de objeto simbólico (isto é, mangual, cetro, bastão, ankh). Esta linguagem simbólica representa a riqueza dos dados físicos, fisiológicos, psicológicos e espirituais destes símbolos.
Alguns animais foram escolhidos para simbolizar aspectos específicos da divindade. Este meio de expressão eficiente é consistente com todas as culturas, pois no ocidente (por exemplo), diz-se “quieto como um rato”, “astuto como uma raposa”, etc. Portanto, a representação animal de funções e atributos é bastante forte. Os neteru (deuses) com formato de animais ou com cabeça de animal eram expressões simbólicas de um entendimento espiritual profundo. No antigo Egito, quando presente um animal completo, uma função/atributo era representada em sua forma mais pura e quando havia uma figura com cabeça de animal, esta função/atributo era aplicado ao ser humano.

O modo de escrever no Antigo Egito, comumente conhecido como hieróglifo, é formado por um grande número de símbolos pictóricos. A palavra hieróglifo tem origem no grego, significando escrita sagrada (hieros = sagrado/santo, glyphein = impresso). Há diversos símbolos sagrados (hieróglifos) que mostram animais, inteiros ou em partes.


SIGNIFICADO DOS NÚMEROS NO EGITO ANTIGO:

1 = Para os egípcios, Um não é um número, mas a essência do princípio fundamental do número, e todos os outros números são feitos a partir dele. Plutarco observou que Um não é um número ímpar quando escreveu que três é o primeiro número ímpar perfeito. O Um representa a unidade: o Absoluto como energia não polarizada. O Um não é ímpar nem par, mas ambos, pois se somado a um número ímpar, transforma-se em par, e vice-versa. Por isso ele combina os opostos, par e ímpar, e todos os outros opostos do Universo. A unidade é uma consciência perfeita, eterna e não-diferenciada.

2 = A Natureza Dualística – Para os antigos egípcios, o estado da pré-criação é formado por quatro pares de gêmeos primitivos de gênero dualista.
Os egípcios viam o Universo como um dualismo entre Maat- Verdade e Ordem – e a desordem, Amen-Renef convocou o Cosmo a partir do caos não-diferenciado ao distinguir ambos, dando voz ao ideal da Verdade. Maat, como visto aqui, é normalmente retratado no formato duplo – Maat.
O princípio dualista no estado da criação foi expresso pelo par Shu e Tefnut. O par formado por marido e mulher é o modo egípcio característico de expressar a dualidade e a polaridade. Esta natureza dualista manifestava-se nos textos e tradições do Antigo Egito, conforme mostram as descobertas arqueológicas. Mesmo os textos mais antigos do Antigo Reinado, conhecidos como “Textos das Pirâmides 1652”, expressam a natureza dualista: “ e cuspiste como Shu e cuspiste como Tefnut.”
Outra forma de expressar a intenção da natureza dualista está presente no texto do Antigo Egito conhecido como “Papiro de Bremner-Rhind”: “Fui anterior aos Dois Anteriores que criei, pois tinha prioridade sobre os Dois Anteriores que criei, visto que meu nome é anterior ao deles, porque criei-os antes dos Dois Anteriores.”
Neheb Kau – que significa o provedor das formas/atributos – era o nome dado à serpente que representa a primordial no Antigo Egito, Neheb Kau é retratado como uma serpente de duas cabeças, indicando a natureza dualista espiral do Universo.
O faraó egípcio sempre era chamado de “Senhor das Duas Terras”. Isso pode ser tanto por causa do Alto e Baixo Egito, quanto por causa da crença dos antigos egípcios em que um gêmeo idêntico de cada um vive também em outro lugar, e ambos passam por experiências semelhantes, até que se reúnem no momento da morte. Os Enumeradores Egípcios Baladi, em suas lamentações, depois da morte de uma pessoa, descrevem como o falecido é preparado para unir-se ao seu sósia (*do sexo oposto), como se fosse uma cerimônia de casamento.
O ciclo perpétuo da existência – o de vida e de morte – é simbolizado por Ra (Re) e Ausar (Osíris). Ra é o neter vivo que desce à morte para tornar-se Ausar (Osíris) – o neter dos mortos. Ausar ascende e volta à vida como Ra. No Mundo dos Mortos, as almas de Ausar e Ra encontram-se, e unem-se para formar uma entidade, descrita eloquentemente no Papiro de Ani: “Sou suas Duas Almas em Seus Gêmeos”
Os eternos opostos, Set (Seth) e Heru (Hórus), têm papeis semelhantes nas representações de ritos simbólicos relacionados à cerimonia da “União das Duas Terras”, retratados nos relevos das pedras em Lisht, perto de Men-Nefer (Mênfis). O simbolismo é poderoso, pois os dois opostos são o Um em um estado polarizado, no qual Set personifica o desejo não desenvolvido e Heru, o desejo em desenvolvimento.
Tanto Heru (Hórus) quanto Tehuti (Toth) são mostrados em diversas ilustrações nos templos do Antigo Egito realizando a simbólica “União das Duas Terras”. Heru personifica a consciência, a mente, o intelecto e é identificado com o coração, Tehuti personifica a manifestação e a entrega e é identificado com a língua. Pensamos com o coração e agimos com a língua. Essas exigências complementares foram descritas na Estela de Shabaka (716-701 a.C): “O Coração pensa em que desejas e a Língua realiza o que desejas.”
Um dos títulos do rei egípcio era “Senhor da Diadema do Abutre e da Serpente”. O diadema é o símbolo terreno do homem divino, o rei, e é formado pela serpente (símbolo da função intelectual divina) e o abutre (símbolo da função reconciliatória). A serpente representa o intelecto, a facilidade, por meio da qual o homem divide o todo em partes constitutivas, como a serpente que engole a presa inteira, e faz a digestão ao dividi-la em partes digeríveis. O homem divino consegue distinguir e reconciliar. Já que essas duas forças dualistas residem no cérebro dele, o formato do corpo da serpente (no diadema) segue as suturas fisiológicas do cérebro, onde essas faculdades especificamente humanas se encontram. Esta função dualista do cérebro é vivida em ambos os lados. A parte do diadema que fica no meio da testa representa o terceiro olho, com todas as suas faculdades intelectuais.

3 = A Triangulação da Criação - O papel metafísico do Três era reconhecido no Antigo Egito, pois cada unidade é uma força tripla e tem a natureza dupla. Isto era eloquentemente ilustrado em seus textos e tradições, onde o neter (deus) autoconcebido, Atum, cuspiu Shu e Tefnut, colocou seus braços ao redor deles e seu ka os penetrou, para tornar-se Um novamente. É o Três que é Dois que é Um. Esta ação deu origem à Primeira Trindade, a primeira fundação, o que está claro no Papiro Bremner-Rhind: “Depois de me tornar um neter (deus), havia (então) três neteru (deuses) além de mim (isto é, Atum, Shu e Tefnut)”.
Nos textos do Antigo Egito, Shu e Tefnut são descritos como os ancestrais de todos os neteru (deuses/deusas) que conceberam todos os seres do Universo. Esse triângulo formado por Atum-Shu-Tefnut possibilitou um relacionamento contínuo entre o Criador e tudo o que foi subsequentemente criado. O conceito de trindade no Antigo Egito também é encontrado nos seguintes exemplos:
A estrofe 300 do Papiro de Lenden menciona a unidade em um Ser dos três princípios, Amen, Ra e Ptah, dizendo: “Todos os neteru são três: Amen, Ra e Ptah.... seu nome secreto é Amen. Ra pertence a ele como seu rosto e Ptah é seu corpo.”
Um exemplo claro de uma Santíssima Trindade.
Outros exemplos comuns das tríades no Antigo Egito incluem:
Amen – Mut – Khonsu
Ausar (Osíris) – Auset (Ísis) – Heru (Hórus)
Ptah – Sekhmet – Nefertum
Ptah – Sokar – Ausar (Osíris)
O santuário triplo é a atração principal na maioria dos templos egípcios, para guardar o poder triplo (três neteru) de cada templo.
Cada pequena localidade do Antigo Egito tinha sua própria tríade de neteru, isto é, uma fundação identificável. Estas tríades locais não entravam em conflito entre si – eram as fundações metafísicas de cada localidade.
Para os antigos egípcios, as Tríades/Trios/Trindades/Triângulos são uma e a mesma. Não havia diferenças funcionais entre triângulos geométricos, tríades musicais u entre as muitas trindades do Antigo Egito. O exemplo mais claro foi explicado por Plutarco com relação ao triângulo 3:4:5, na Moralia, vol. V: “Os egípcios têm em grande honra o mais bonito dos triângulos, já que admiram a natureza do Universo mais próxima a ele...”
Em outras palavras, as diferentes formas dos triângulos representam as diferentes naturezas do Universo.

4 = A Estabilidade do Quatro - Quatro é o número que simboliza a solidez e a estabilidade. O significado do número 4 é mostrado nos seguintes exemplos:
Os textos egípcios afirmam que o caos anterior à Criação possuía características que se identificam com quatro pares de forças/poderes primordiais. Cada par representa os gêmeos primitivos de gênero dualistas – o aspecto masculino/feminino. Os quatro pares equivalem às quatro forças do Universo (a força fraca, a força forte, a gravidade e o eletromagnetismo).
Os antigos egípcios possuíam quatro centros de ensino cosmológico principais: Onnu (Heliópolis), Men-Nefer (Mênfis), Ta-Apet (Tebas) e Khmunu (Hermópolis). Cada centro revelava uma das principais fases ou aspectos da gênese.
Os quatro pares anteriores à Criação são um tema constante nestes quatro centros.
Atualmente o Egito possui quatro Modos de Ensino Sufi que foram criados no século XI EC, para manter as tradições do Antigo Egito sob a lei islâmica.
Os egípcios utilizavam os quatro fenômenos simples (fogo, ar, terra e água) para descrever os papéis funcionais dos quatro elementos necessários à matéria. A água é a soma – o princípio que compõe o fogo, a terra e o ar. A água também é uma subtância acima das outras.
Estes conceitos foram expressos nos textos do Antigo Egito como Nu/Nun, a água (líquido) primitiva que contém todos os elementos do Universo. Em Moralia, vol. V, Plutarco confirmou: “Pois a natureza da água, sendo a fonte e origem de todas as coisas, criou, a partir de si mesma, três substâncias materiais primevos: terra, ar e fogo.”
A estrofe 40 do Papiro Leiden introduziu a “Criação” falando sobre o Artesão Divino do Universo, simbolizando Ptah, O Manifestador das Formas.
O pilar Tet (Djed), símbolo da criação, é composto por quatro elementos.
Outros exemplos incluem: os quatro filhos do neter (deus) Geb (a terra), os quatro pontos cardeais, as quatro regiões do céu, os quatro pilares do céu (apoio material do reino do espírito), os quatro filhos de Herus, os quatro vasos canopos, nos quais os quatro órgãos eram depositados após a morte.

5 = A Quinta Estrela – O significado e a função do número cinco no Antigo Egito é indicado pela forma na qual era escrito, como dois sobre três, ou como a estrela de cinco pontas. Em outras palavras, o número cinco é o resultado da relação entre o número 2 e o número 3. O Dois simboliza o poder da multiciplicidade, o feminino, o receptor, mutável, enquanto que o Três simboliza o masculino. Esta era a “música das esferas”, as harmonias universais representadas entre os dois símbolos primitivos universais masculino e feminino, Ausar (Osíris) e Auset (ísis), cujo casamento sagrado gerou o filho, Heru (Hórus). Em Moralia, vol. V, Plutarco confirmou este conhecimento egípcio: Três (Osíris) é o primeiro número ímpar perfeito; quatro é um quadrado, cujo lado é o número par dois (ísis), porém, de certa forma, o cinco (Hórus) é como seu pai e de outra forma, sua mãe, pois é feito de dois e três. E panta (tudo) é derivado de pente (cinco) e falam em contar numerando de cinco em cinco.”
O cinco incorpora os princípios da polaridade (II) e da reconciliação (III). Todos os fenômenos, sem exceção, são polares por natureza, triplo por princípio. Portanto o cinco é a chave para a compreensão do Universo manifesto, segundo Plutarco sobre o pensamento egípcio:
“E panta (tudo) é derivado de penta (cinco).”
As estrofes 50 e 500 do Papiro Leiden começam com a palavra dua, que significa, ao mesmo tempo, “cinco” e “adorar”, e são formadas por cânticos de adoração exaltando as maravilhas da Criação.
No Antigo Egito, o símbolo da estrela era desenhado com cinco pontas e representava tanto o destino quanto o número cinco. As estrelas de cinco pontas são os lares das almas que se foram bem-sucedidas, como mencionado nos “Textos Funerários de Unas (conhecidos como textos das Pirâmides), linha 904: “seja uma alma como uma estrela viva...”
Heru (Hórus) é a personificação de objetivo de todos os ensinamentos iniciais e, portanto, está associado ao número cinco, pois é o quinto, depois de Ausar, Auset, Set e Nebt-Het. Heru também é o número cinco no triângulo retângulo 3:4:5, como confirmado por Plutarco.

6 = O Sexto Cúbico – A estrofe 6 do Papiro Leiden é a primeira que permaneceu intacta da série de unidades dos números 1-9. Devido às seis direções, seis é o número do espaço, volume e tempo por excelência e, sendo assim, essa estrofe fala de todas as regiões sob o domínio de Amen-Ra. Seis é o número cósmico do mundo material e, por isso, os egípcios o escolheram para simbolizar tanto o tempo quanto o espaço. O tempo e o espaço são dois lados da mesma moeda, que é perfeitamente representada na ciência da astronomia e em sua aplicação – a astrologia. Atualmente, os cientistas, concordam que há uma conexão próxima entre tempo e espaço – tão próxima que a existência de um sem o outro é impossível.
Tempo – Para o Antigo Egito todas as coisas relacionadas à contagem de tempo eram e são baseadas no número seis, ou seus múltiplos. O dia completo era/é formado por 24 (6x4) horas, sendo 12 (2x6) horas diurnas e 12 (2x6) horas noturnas. A hora era/é formada por 60 (6x10) minutos, e o minuto é formado por 60 (6x10) segundos. O mês tem 30 (6x5) dias. O ano tem 12 (2x6) meses. O Grande Ano Zodiacal contem 12 Eras Zodiacais (signos).
Espaço (volume) – para defini-lo são necessárias seis direções: acima e abaixo, anterior e posterior e esquerda e direita. O cubo, a figura perfeita de seis lados, era usado no Egito para simbolizar o espaço (volume).
Os egípcios eram muito conscientes da estrutura, em forma de caixa, que é o modelo da terra ou do mundo material. O formato das esculturas chamadas de estátuas de cubo prevalece desde o Médio Reinado (2040-1783 a.C), onde o ser integrava-se à forma cúbica da pedra. Nestas estátuas cúbicas há uma forte sensação de que o ser emerge da prisão do cubo e seu significado simbólico é que o princípio espiritual emerge do mundo material. A pessoa terrena é inequivocadamente posicionada na existência material.
A pessoa divina é retratada sentada em um cubo, ou seja, mente sobre matéria.
Outras tradições, como a Platônica ou a Pitagórica, adotaram o mesmo conceito da representação cúbica egípcia do mundo material.
Portanto, o simbolismo de “ampliar os horizontes” ou “ver além daquilo que lhe é apresentado” (nas performances teatrais) é, originalmente egípcia.

7 = O Sete Cíclico – O significado e a função do número7 no Antigo Egito são demonstrados através do modo pelo qual o número era escrito. O 7 significava a união entre espírito (Três) e matéria (Quatro). Umas das formas que tradicionalmente expressam o significado do 7 é a pirâmide, que combina a base quadrada, simbolizando os quatro elementos, e os lados triangulares, que simbolizam os três tipos do espírito.
No processo de Criação, Ausar (Osíris) é o sétimo: Nun, Atum, Shu, Tefnut, Geb, Nut e Ausar. Ausar é o primeiro a nascer da união entre céu (Nut) e terra (Geb), isto é, da união entre espírito (Nut) e matéria (Geb). Por esta razão, Ausar está associado ao número 7 e seus múltiplos. Sete é o número do processo, do crescimento e dos aspectos cíclicos básicos do Universo. Sete elementos, normalmente, formam um conjunto completo – os sete dias da semana, as sete cores do espectro, as sete notas da escala musical, etc. As células do corpo humano são totalmente renovadas a cada sete anos.
A íntima relação entre Ausar e o 7 é refletida em alguns exemplos do templo de Ausar em Abtu (Abidos):
É o único templo com sete capelas. Existem sete formas espirituais de Ausar. Existem sete barcos de Ausar. 42 (7x6) é o número de assessores/jurados no Dia do Juízo, que é presidido por Ausar.
42 (7x6) é o número de passos necessários para se entrar no templo.
O pilar de Tet (Djed), que é o símbolo sagrado de Ausar, tem 7 degraus, o que lembra a doutrina dos chakras do sistema de yoga kundalini da Índia. Os chakras são pontos centrais da estrutura psicofísica do homem que correspondem aos 7 pontos constituintes, junto com a ligação que os une, a chamada espinha humana.
Os 7 centros de Tet representam os 7 degraus metafóricos da escada que leva da matéria ao espírito. Já que o homem é um microcosmo do padrão cósmico, Tet representa um microcosmo da cosmologia universal.
É difícil separar o número 7 e Ausar, e o 7 marca o fim de um ciclo.

8 = A Oitava – O 7 marca o fim de um ciclo e o oito, o início de um novo ciclo – uma oitava.
Os antigos egípcios e os Baladi acreditam que o Universo é composto por nove mundos (sete céus e duas terras/solos). Nossa existência terrena ocorre no oitavo mundo (a primeira terra/solo).
No número 8, encontramos o ser humano sendo criado à imagem de Deus, o Primeiro Princípio. Nossa existência terrena no oitavo mundo é uma réplica, e não uma duplicação – uma oitava. A oitava é o estado futuro do passado. A continuidade da criação é uma série de réplicas – oitavas.
No Egito, o conhecido texto “Sarcofago de Petamon” (Museu do Cairo, item 1160) afirma: “Sou o Um que se transforma em Dois, que se transforma em Quatro, que se transforma em Oito, e então sou o Um novamente.”
Esta nova unidade (Um novamente) não é idêntica, mas análoga à primeira unidade (Sou o Um). A antiga unidade não existe mais, e uma nova unidade ocupa seu lugar: “O Rei está morto, vida longa ao Rei.” É uma renovação da auto-réplica. Para provar o princípio da auto-réplica, são necessários 8 termos.
Musicalmente, o tema de renovação de 8 termos corresponde à oitava, pois atravessa os 8 intervalos da escala (as 8 teclas brancas do teclado). Por exemplo, uma oitava pode ser dois Dós sucessivos em uma escala musical, Oito é o número de Tehuti e, Khmunu (Hermópolis), Tehuti (Hérmes para os gregos e Mercúrio para os romanos) é chamado de “Senhor da Cidade do Oito”. Tehuti dá ao homem acesso aos mistérios do mundo, que eram simbolizados pelo número 8.  A manifestação da Criação surgiu através da palavra (ondas sonoras) de Ra por Tehuti.
A estrofe 80 do Papiro de Leiden retrata a criação de acordo com o que é contado em Khmunu (Hermópolis), mencionando a Octóade – o Oito Primordial – que era formado pela primeira metamorfose de Amen-Ra, o misterioso, o escondido, que era conhecido em Men-Nefer (Mênfis) como Ta-Tenen e em Ta-Apet (Tebas) como Ka-Mut-f, mas que permanecia sendo o Um.
Portanto, a manifestação da Criação em oito termos está presente nos quatro centros cosmológicos do Antigo Egito.
Em Men-Nefer (Mênfis), Ptah, em suas 8 formas, criou o Universo.
Em Onnum *Heliópolis), Atum criou os 8 seres divinos.
Em Khmunu (Hermópolis), 9 neteru primitivos – a Octóade – criaram o Universo. Eram a personificação das águas primitivos.
Em Ta-Apet (Tebas), Amun/Aman/Amen depois de criar a si mesmo em segredo, criou a Octóade.
A manifestação da Criação através de 8 termos também reflete-se no processo místico de enquadrar o círculo.

9 = A Grande Enéade, os Nove Círculos – A propriadamente, a nona estrofe do papiro de Leiden do Antigo Egito fala sobre a Grande Enéade – as nove primeiras entidades que surgiram a partir de Nun.
O primeiro na Grande Enéade é Atum, que surgiu a partir de Nun – o oceano cósmico. Atum cuspiu os gêmeos Shu e Tefnut, que deram à luz Nut e Geb, cuja união produziu Ausar (Osíris), Auset (ísis), set (Seth) e Nebt-Het (Néftis).
Os nove aspectos da Grande Enéade emanam, e estão incunscritos, no Absoluto. Não são uma sequência, mas uma unidade – interpenetrando, interagindo e encadeada. São a origem de toda a criação, simbolizada por Heru (Hórius), que, de acordo com a estrofe 50 do Papiro de Leiden, é: “o resultado da unidade-vezes-nove dos neteru.”
Já que o ser humano é uma réplica do Universo, uma criança humana normalmente é concebida, formada, e nasce  em nove meses. O número 9 marca o fim da gestação e o fim de cada série de números.
Heru (Hórus) também é associado ao número 5. Cinco é o número dos sólidos cósmicos (poliedros): tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro, que são formados em 9 círculos concêntricos, em que cada sólido toca na esfera que circunscreve o sólido seguinte. Estes nove círculos representam os nove – a unidade da Grande Enéade, a origem de toda a criação representada por estes sólidos cósmicos.
Na “Litania de Ra”, Ra é descrito como “Aquele com o Gato e O Grande Gato”. Os nove mundos do Universo manifestam-se no gato, pois o mesmo termo em egípcio antigo, b.st, representa tanto o gato como a Grande Enéade (que significa a unidade-vezes-nove). Esta relação acabou sendo transportada para a cultura Ocidental, na qual se diz que o “gato tem nove vidas”. Os antigos egípcios e os Baladi adoram o Gato e o que ele representa.

(continua...)

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LISTA DE REIS E FARAÓS DO ANTIGO EGITO =

Período Lendário:
Ptá 5.400 A.C. a 5.340 A.C. = Deus criador e divindade patrona da cidade de Mênfis.
Rá 5.340 A.C. a 5.280 A.C. = Deus sol, e criador do mundo.
Shu 5.280 A.C. a 5.220 A.C. = Deus do ar seco, do estado masculino, do calor, da luz e da perfeição.
Geb 5.220 A.C. a 5.180 A.C = Deus da terra.
Osíris 5.180 A.C. a 5.120 A.C. = Deus associado à vida no além, ele decidia se as pessoas iriam reencarnar ou perder a vida no além
Hórus 5.120 A.C. a 5.060 A.C. = Deus dos céus.
Tot 5.060 A.C. a 5.000 A.C. = Deus da sabedoria, e da escrita.
Maat 5.000 A.C. a 4.940 A.C. = Deusa da justiça e do equilíbrio.


Período Pré-Dinástico (4940 – 3200 a.C.)
Baixo Egito: Hsekiu (Seka)
Baixo Egito: Khayu
Baixo Egito: Tiu (Teyeuw)
Baixo Egito: Thesh (Tyesh)
Baixo Egito: Neheb
Baixo Egito: Wazner
Baixo Egito: Mekh
Baixo Egito: Desconhecido
Baixo Egito: Falcão Duplo
Alto Egito: Elefante (Pe-Hor, Pen-abu
Alto Egito: Escorpião I

Dinastia 0 (3200 – 3150 a.C.)
Iry-Hor
Crocodilo (Shendjw)
Ka (Sekhen)
Escorpião II (Serqet)

Dinastia I (3150 - 2900 a.C.)
Hórus-Narmer
Hórus-Aha
Neith-hotep
Hórus-Djer
Hórus-Djet
Merneith
Hórus-Den
Hórus-Anedjib
Hórus-Semerkhet
Hórus-Qa’a
Hórus-Sneferka
Hórus-Ba

Dinastia II (2900 - 2670 a.C.)
Hórus-Hotepsekhemui
Hórus-Nebré
Nynetjer
Nisut-Bitj-Nebty-Weneg
Senedj
Set-Peribsen
Sekhemib-Perenmaat
Neferkare I Aaka
Neferkasokar
Hudjefa
Khasekhem

Dinastia III (2686 - 2613 a.C.)
Djoser
Sekhemkhet
Sanakht
Khaba
Huni

Dinastia IV (2613 - 2498 a.C.)
Snefru
Quéops(Kheops)
Djedefre(Redjedef)
Quéfren
Miquerinos
Chepseskaf

Dinastia V (2498 - 2345 a.C.)
Userkaf
Sahure
Neferirkare I Kakay
Neferefré(Reneferef)
Chepseskaré
Niuserré Ini
Menkauhor
Djedkare Isesi
Unas (Wenis)

Dinastia VI (2345 – 2181 a.C.)
Teti
Userkaré
Meryre Pepi I
Merenré Nemytemsaf I
Neferkare Pepi II
Merenré Nemytemsaf II
Nitekreti ou Netjerkare Siptah I

Dinastia VII (2181 – 2173 a.C.)
Menkaré
Neferkaré II
Neferkaré III Nebi
Djedkaré Shemai
Neferkaré IV Khendu
Merenhor
Neferkamin I
Nikaré I
Neferkaré V Tereru
Neferkahor

Dinastia VIII (2172 – 2160 a.C.)
Neferkaré VI Pepiseneb
Neferkamin II Anu
Qakare Ibi
Neferkauré
Neferkauhor Khwiwihepu
Neferirkaré II

Dinastia IX (2160 - 2131 a.C.)
Meribré Kheti I
Merikaré
Neferkaré VII
Setut
Desconhecido
Mery...
Shed...
H...
Kheti II
Kheti III
Kheti IV

Dinastia X (2130 – 2040 a.C.)
Merihathor
Kheti V
Neferkaré VIII
Nebkauré Kheti VI / II
Wahkaré Kheti VII / III
Merikaré (II)

Dinastia XI (2130 - 1991 a.C.)
Antef Iri-pat (O Velho)
Mentuhotep I Tepi-a (O Grande)
Sehertawy Antef I
Wahankh Antef II
Nakhtnebtepnefer
Antef III
Nebhepetré
Mentuhotep II
Nehebpetré Mentuhotep II
Sankaré Mentuhotep III
Nebtauiré Mentuhotep IV
Menkaré Segerseni
Qakare Ini
Iyibkhentré

Dinastia XII (1991 – 1802 a.C.)
Sehetepibré Amenemhat I
Kheperkaré Senusret I
Nubkauré Amenemhat II
Khakheperré Senusret II
Khakauré Senusret III
Nimaetré Amenemhat III
Maakheruré Amenemhat IV
Sobekaré Sobekneferu

Dinastia XIII (1801 - 1711 a.C.)
Sekhemré Khutawy Amenemhat Sebekhotep I
Mehibtawy Sekhemkaré Amenemhat Sonbef
Nerikaré
Sekhemkaré Amenemhat V
Ameny Qemau
Hotepibré Qemau Siharnedjheritef
Iufni
Seankhibré Amenemhat VI
Semenkaré Nubni
Sehetepibré (I/II) Sewesekhtawy
Sewadjkaré
Nedjemibré
Khaankhré Sebekhotep II
Renseneb Amenemhat
Awibré Hor I
Sekhemrekhutawy Khabaw
Djedkheperew
Sebkay
Sedjefakaré KayAmenemhat VII
Khutawyré Wegaf
Userkareé Khendjer
Smenkhkaré Imyremeshaw
Sehetepkaré Antef IV
Set Meribre
Sekhemresewdjtawy Sebekhotep III
Khasekhemré Neferhotep I
Menwadjré Sihathor
Khaneferré Sebekhotep IV
Merhotepré Sebekhotep V
Khahotepré Sebekhotep VI
Wahibré Ibiau
Merneferré Ay I
Merhotepr´r Ini
Sankhenré Sewadjtu
Mersekhemré Ined(Neferhotep II)
Sewadjkaré Hor II
Merkauré Sebek-hotep VII
(sete reis)
Mer[…]re
Merkheperré
Merkaré
Desconhecido
Sewadjaré Mentuhotep V
[…]mosré
Ibi […]maatré
Hor[…] […]webenré
Se...karé
Seheqenré Sankhptahi
.,,ré
Se...enré
Djedhotepré Dedumés I
Djedneferré Dedumés II
Sewahenré Senebmiu
Mershepsesré Ini II
Menkauré Snaaib

Dinastia XIV (1710 – 1650 a.C.)
Sekhaenré Yakbim
Nubwoserré Ya'ammu
Khawoserré Qareh
Aahotepré 'Ammu
Maahibré Sheshi
Aasehré Nehesi
Khakherewré
Nebefawré
Sehebré
Merdjefaré
Sewadjikaré III
Nebdjefaré
Webenré
Desconhecido
Djefaré...
Nebsenré
Sekheperenré
Anati Djedkaré
Bebnum
Apepi I
Nuya
Wazad
Sheneh
Shenshek
Khamuré
Yakareb
Meruserré Yaqub-Har

Dinastia XV (1650 – 1540 a.C.)
Salitis (Charek)
Semqen
'Aper-'Anat
Sakir-Har
Seuserenré Khyan
Nebkhepeshre Aqenenre Auserre Apopi I
Aasehré Khamudi
Sekhemraneferkau Upuautemsaf
Sekhemrekhutawy Pantjeni
Menkauré Snaaib
Woseribré Senebkay

Dinastia XVI (1650 – 1580 a.C.)
Desconhecido
Sekhemresementawy Djehuti
Sekhemreseusertawy Sebekhotep VIII
Sekhemré Sankhtawy Neferhotep III Iykhernofret
Seankhenré Mentuhotepi
Sewadjenré Nebiriau I
Neferkaré(...) Nebiriau II
Semenré
Seuserenré Bebiankh
Sekhemré Shedwast
Seneferankhré Pepi III
Djedhotepré Dedumés I
Djedneferé Dedumés II
Djedankhré Montemsaf
Merankhré
Mentuhotep VI
Seneferibré Senusret IV (Sesóstris IV)
Nebmaetré

Dinastia XVII (1580 – 1554 a.C.)
Sekhemrewahkhaw Rahotep
Sekhemre Wadjkhaw Sobekemsaf I
Sekhemré Shedtawy Sobekemsaf II
Sekhemré-Wepmaet Antef V
Nubkheperré Antef VI
Sekhemré-Heruhirmaet Antef VII
Senakhtenré Amósis (I)
Sekenenré Taá
Wadjkheperre Kamés

Dinastia XVIII (1553 – 1292 a.C.)
Nehebpetiré Amósis
Djeserkaré Amenhotep I
Aakheperkaré Tutmés I
Aakheperenré Tutmés II
Maetkaré Hatchepsut I
Menkheperré Tutmés III
Akheperuré Amenhotep II
Menkheperré Tutmés IV
Nebmaetré Amenhotep III O Magnífico
Neferkheperuré-waenré Amenhotep IV - Akhenaton
Ankhkheperuré Semenkharé Djeser Kheperu
Ankhkheperuré-meri-Neferkheperuré/ -meri-Waenré/ -meri-Aton Neferneferuaton
Nebkhepruré Tutankhaton - Tutankhamon
Kheperkheperuré Irimaet Ay
Djeserkheperuré-setpenré Horemheb-meriamon

Dinastia XIX (1292 -1189 a.C.)
Menpehtiré Ramsés I
Menmaetré Seti I
Usermaetré-setpenré Ramsés II O Grande
Banenré-meriamon Merneptah
Menmiré-setpenré Amenmesés
Userkheperuré Seti II
Sakhenré-meriamon Merneptah Siptah
Sitré-merenamon Tausret

Dinastia XX (1189 – 1077 a.C.)
Userkhauré-setepenré-meriamon Setnakht
Usermaetré-meriamon Ramsés III
Heqamaetré-setpenamon Ramsés IV
Usermaetré-sekheperenré Ramsés V
Nebmaetré-meriamon Ramsés VI
Usermaetré-setpenré-meriamon Ramsés VII
Usermaetré-akhenamon Ramsés VIII
Neferkaré-setpenré Ramsés IX
Khepermaetré-setpenré Ramsés X
Menmaetré-setpenptah Ramsés XI

Dinastia XXI (1077 – 943 a.C.)
Hedjkheperré-setpenré Esmendes I
Neferkare Heqawaset Amenemnisu
Aakheperré Psusennes I
Usermaetré Amenemope
Aakheperré Setepenré Osorkon O Velho
Netjerikheperré-setpenamon Siamon-meriamon
Titkheperuré Psusennes II
Herihor
Piankh
Pinedjem I
Masaharta
Djedkhonsuefankh
Menkheperre
Esmendes II
Pinedjem II
Psusennes III

Dinastia XXII (943 – 720 a.C.)
Hedjkheperré-setepenré Shoshenq I
Sekhemkheperré Osorkon I
Heqakheperré Shoshenq II
Tutkheperré Shoshenq II
Hedjkheperré Harsiese
Takelot I
Usermaetré-setepenamon Osorkon II
Usermaetré-setepenré Shoshenq III
Shoshenq IV
Usermaetré-setepenré Pami
Aakheperré Shoshenq V
Usermaetré Osorkon IV

Dinastia XXIII (837 – 733 a.C.)
Hedjkheperré-setpenré Takelot II
Usermaetré-setepenamon Pedubast
Usermaetré-setepenamon Iuput
Usermaetré Shoshenq VI
Usermaetré-setepenamon Osorkon III
Usermaetré-setepenamon Takelot III
Usermaetré-setepenamon Rudamon
Menkheperré Ini

Dinastia XXIV (732 – 720 a.C.)
Shepsesre Tefnacte
Wahkaré Bakenrenef

Dinastia XXV (744 – 653 a.C.)
Usermaetré Pié
Djedkauré Shebitku
Neferkaré Shabaka
Khuinefertemré Taharqa
Bakaré Tantamani

Dinastia XXVI (685 – 525 a.C.)
Tefnacte II(Stephinates)
Nekauba (Nechepsos)
Menkheperré Necho I
Wahibré Psamético I
Psamético I
Necho II
Psamético II
Apriés
Amásis
Psamético III

Dinastia XXVII (525 – 405 a.C.)
Cambises
Dario I
Xerxes I
Artaxerxes I
Dario II

Dinastia XXVIII (404 – 399 a.C.)
Amirteu

Dinastia XXIX (399 – 380 a.C.)
Neferités I
Psamitus
Hakor
Neferités II

Dinastia XXX (380 – 343 a.C.)
Nectanebo I
Teos
Nectanebo II

Dinastia XXXI (343 -332 a.C.)
Artaxerxes II
Artaxerxes III
Dario III

Dinastia Macedônica (332 – 30 a.C.)
Setepenré meriamon Alexandre I O Grande
Filipe Arrideu
Khaibre setepenamon Alexandre II

Dinastia Ptolemaica (305 – 30 a.C.)
Setepenré meriamon Ptolemeu I Soter
Berenice I
Userkaré meriamon Ptolemeu II Filadelfos
Arsínoe I
Khnenmetibenmaet Netjeru Arsínoe II Filadelfos
Iwaensenwinetjerwy setepenré sekhemankhenamon Ptolemeu III Euergetes
Meritnetjerou Berenice II Euergetes
Iwaennetjerwymenekhwy Setepenptah Userkaré Sekhemankhamon Ptolemeu IV Filopator
Arsínoe III Téa Filopator
Agátocles
Sosíbio
Tlepólemo
Aristómenes de Alizeia
Horwennefer
Iwaennetjerwymer(wy)it Setepenptah Userkaré Sekhemankhamon Ptolemeu V Epifanes Eucaristos
Cleópatra I Téa Epifanes Sira
Ankhwennefer
Iwaennetjerwyperu Setepenptahkheperi Irimaetamonré Ptolemeu VI Filometor
Cleópatra II Filometor Soteira
Antíoco IV Epifanes da Síria
Iwaennetjerwyperwy setepenptah irimaetré sekhemankhenamon Ptolemeu VII (VIII) Euergetes Fiscon
Ptolemeu VIII (VII) Neos Filopator
Cleópatra III Euergetes Filometor Soteira Kokke
Ptolemeu Menfites
Harsiesi
Iwanetjermeneknetjeret Meretmutesnedjet Setepenptah Irimaetré Sekhemankhamon Ptolemeu IX Soter Latiros
Cleópatra IV
Cleópatra Selene I
Iwanetjermenekhenetjeret Menkhetré Setepenptah Irimaetré Senenankhenamon Ptolemeu X Alexandre I
Iripatet Wer(et)hesu(t) Cleópatra Berenice III Téa Filopator
Ptolemeu XI Alexandre II
Iwa'enpanetjernehem Setepenptah Irimaetenré Sekhemankhimen Pa Netjermery It Senet Usiri Hunu Ptolemeu XII Neos Dionisos Téos Filopator Téos Filadelfos Auletes
Cleópatra V Trifena
Cleópatra VI Trifena
Cleópatra Berenice IV Epifaneia
Seleuco Filometor Cibiosactes
Arquelau
Cleópatra VII Filopator
Ptolemeu XIII Téo Filopator
Arsínoe IV
Ptolemeu XIV
Ptolemeu XV Filopator Filometor Caesarion

Cultura Grega e Romana:


VISÃO DO MUNDO PARA OS GREGOS&ROMANOS 

Fonte: O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA – Histórias de Deuses e Heróis (DE: THOMAS BULFINCH, EDITORA: EDIOURO)


Os gregos acreditavam que a Terra fosse chata e redonda, e que seu país ocupava o centro da Terra, sendo seu ponto central, por sua vez, o Monte Olimpo, residência dos deuses, ou Delfos, tão famoso por seu oráculo.

O disco circular terrestre era atravessado de leste a oeste e dividido em duas partes iguais pelo Mar, como os gregos chamavam o Mediterrâneo e sua continuação, o Ponto Euxino, os únicos mares que conheciam.

Em torno da Terra corria o rio Oceano, cujo curso era do sul para o norte na parte ocidental da Terra e em direção contrária do lado oriental. Seu curso firme e constante não era perturbado pelas mais violentas tempestades. Era dele que o mar e todos os rios da Terra recebiam suas águas.

A parte setentrional da Terra era supostamente habitada por uma raça feliz, chamada hiperbóreos, que desfrutava uma primavera eterna e uma felicidade perene, por trás das gigantescas montanhas, cujas cavernas lançavam as cortantes lufadas do vento norte, que faziam tremer de frio os habitantes da Hélade (Grécia). Aquele país era inacessível por terra ou por mar. Sua gente vivia livre da velhice, do trabalho e da guerra.

Moore nos deixou um “Canto de um Hiperbóreo”, que assim começa:

“De um país venho pelo sol banhado

De jardins reluzentes,

Onde o vento do norte jaz domado

E os uivos estridentes”

Na parte meridional da Terra, junto ao curso do Oceano, morava um povo tão feliz e virtuoso como os hiperbóreos, chamado etíope. Os deuses o favoreciam a tal ponto, que se dispunhavam, às vezes, a deixar os cimos do Olimpo, para compartilhar de seus sacrifícios e banquetes.

Na parte ocidental da Terra, banhada pelo Oceano, ficava um lugar abençoado, os Campos Elíseos, para onde os mortais favorecidos pelos deuses eram levados, sem provar a morte, a fim de gozar a imortalidade da bem-aventurança. Essa região feliz era também conhecida como os Campos Afortunados ou Ilha dos Abençoados.

Como se vê, os gregos dos tempos primitivos pouca coisa sabiam a respeito dos outros povos, a não ser os que habitavam as regiões situadas a leste e a sul de seu próprio país, ou perto do litoral do Mediterrâneo. Sua imaginação, enquanto isto, povoava a parte ocidental daquele mar de gigantes, monstros e feiticeiras, ao mesmo tempo em que colocava em torno do disco da Terra, que provavelmente consideravam como de extensão reduzida, nações que gozavam de favores especiais dos deuses, que as beneficiavam com a aventura e a longevidade.

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DEUSES E SERES GREGOS&ROMANOS

Fonte: O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA – Histórias de Deuses e Heróis (DE: THOMAS BULFINCH, EDITORA: EDIOURO)


Supunha-se que a Aurora, o Sol e a Lua levantavam-se no Oceano, em sua parte oriental, e atravessavam o ar, oferecendo luz aos deuses e aos homens. Também as estrelas, com excessão das que formavam as constelações das Ursas, e outras que lhes ficavam próximas, levantavam-se e deitavam-se no Oceano. Ali, o deus-sol embarcava num barco alado, que o transportava em torno da parte setentrional da Terra, até o lugar onde se levantava, no nascente. Milton faz alusão a esse fato em seu “Comus”:

“Eis que do dia o carro refulgente,

Com seu eixo de ouro, docemente

Sulca as águas do oceano, sem desmaio,

Enquanto do inclinado sol o raio

Para o alto se volta, como seta

Visando, com firmeza, a outra meta

De sua moradia no nascente”


A morada dos deuses era o cume do Monte Olimpo, na Tessália. Uma porta de nuvem, da qual tomavam conta as deusas chamadas Estações, abria-se a fim de permitir a passagem dos imortais para a Terra e para dar-lhes entrada, em seu regresso. Os deuses tinham moradas distintas; todos, porém, quando convocados, compareciam ao palácio de Júpiter, do mesmo modo que faziam as divindades cuja morada habitual ficava na Terra, nas águas, ou embaixo do mundo. Era também no grande salão do palácio do rei do Olimpo que os deuses se regalavam, todos os dias, com ambrosia e néctar, seu alimento e bebida, sendo o nectar servido pela linda deusa Hebe. Ali discutiam os assuntos relativos ao céu e à terra; enquanto saboreavam o néctar, Apolo, deus da música, deliciava-os com os sons de sua lira e as musas cantavam. Quando o sol se punha, os deuses retiravam-se para as suas respectivas moradas, a fim de dormir.

Os versos seguintes da “Odisséia” mostram como Homero concebia o Olimpo:

“Disse Minerva, a deusa de olhos pulcros,

E ao Olimpo subiu, à régia e eterna

Sede dos deuses, onde a tempestade

Ruge jamais, e a chuva não atinge

E nem a neve. Onde o dia brilha

Num céu limpo de nuens e ameaças.

Felicidades sempiterna gozam

Ali os seus divinos habitantes.”


As túnicas e outras peças dos vestuários das deusas eram tecidas por Minerva e pelas Graças, e todas as demais peças de natureza mais sólida eram formadas por diversos metais. Vulcano era o arquiteto, o ferreiro, o armeiro, o construtor de carros e o artista de todas as obras do Olimpo. Construía com bronze as moradas dos deuses; fazia os sapatos de ouro com que os imortais caminhavam sobre o ar ou sobre a água, ou se moviam de um lugar para o outro, com a velocidade do vento, ou mesmo do pensamento. Também fazia com o bronze os cavalos celestiais, que arrastavam os carros dos deuses pelo ar, ou ao longo da superfície do mar. Tinha o poder de dar movimento próprio às suas obras, de sorte que os trípodes (carros e mesas) podiam mover-se sozinhos para entrar ou sair do palácio celestial. Chegava a dotar de inteligência as servas de ouro que fazia para cuidar dele próprio.

Júpiter ou Jove (Zeus), embora chamado pai dos deuses e dos homens, tivera um começo. Seu pai foi Saturno (Cronos) e sua mãe Réia(Ops). Saturno e Réia pertenciam à raça dos Titãs, filhos da Terra e do céu, que surgiram do Caos.

Havia outra cosmogonia, ou versão sobre a criação, de acordo com a qual a Terra, o Erêbo e o Amor foram os primeiros seres. O Amor (Eros) nasceu do ovo da Noite, que flutuava no Caos. Com suas setas e sua tocha, atingia e animava todas as coisas, espalhando a vida e a alegria.

Saturno e Réia não eram os únicos Titãs. Havia outros, cujos nomes eram Oceano, Hipérion, Iapeto e Ofíon, do sexo masculino; e Têmis, Mnemósine, Eurgnome, do sexo feminino. Eram os deuses primitivos, cujo domínio foi, depois, transferido para outros. Saturno cedeu lugar a Júpiter, Oceano a Netuno; Hipérion, a Apólo. Hipérion era o pai do Sol, da Lua e da Aurora. É, portanto, o deus-sol original e apresentavam-no com o esplendor e a beleza mais tarde atribuídos a Apolo.

“As madeixas de Hipérion, do próprio Jove a fronte.” (Shakespeare)

Ofíon e Eurinome governaram o Olimpo, até serem destronados por Saturno e Réia. Milton faz alusão a eles, no “Paraíso Perdido”, dizendo que os pagãos parecem ter tido algum conhecimento da tentação e da queda do homem:

“Contavam em suas lendas que a serpente

A quem chamavam Ofíon, com Eurínome,

Reinaram no princípio sobre o Olimpo

De onde Saturno os expulsou depois”

As representações de Saturno não são muito consistentes; de um lado, dizem que seu reino constituiu a idade do ouro da inocência e da pureza, e, por outro lado, ele é qualificado como um monstro, que devorava os próprios filhos. Júpiter, contudo, escapou a esse destino e, quando cresceu, desposou Métis (Prudência) e esta ministrou um medicamento a Saturno, que o fez vomitar seus filhos. Júpiter, juntamente com seus irmãos e irmãs, rebelou-se, então, contra Saturno e seus irmãos, os Titãs, venceu-os e aprisionou alguns deles no Tártaro, impondo outras penalidades aos demais. Atlas foi condenado a sustentar o céu em seus ombros.

Depois do destronamento de Saturno, Júpiter dividiu os domínios paternos com seus irmãos Netuno (Poseidon) e Plutão (Dis). Júpiter ficou com o céu, Netuno, com o oceano, e Plutão com o reino dos mortos. A Terra e o Olimpo eram propriedades comuns. Júpiter tornou-se o rei dos deuses e dos homens. Sua arma era o raio e ele usava um escudo chamado Égide, feito por Vulcano. Sua ave favorita era a águia, que carregava os raios.

Juno (Hera) era a esposa de Jupiter e rainha dos deuses. Íris, a deusa do arco-íris, era a servente e mensageira de Juno. O pavão, sua ave favorita.

Vulcano (Hefesto), o artista celestial, era filho de Júpiter e de Juno. Nascera coxo e sua mãe sentiu-se tão aborrecida ao vê-lo que o atirou para fora do céu. Outra versão diz que Júpiter atirou-o para fora com um pontapé, devido à sua participação numa briga do rei do Olimpo com Juno. O defeito físico de Vulcano seria consequência dessa queda. Sua queda durou um dia inteiro e o deus coxo acabou caindo na Ilha de Lenos que, desde então, lhe foi consagrada. Milton alude a esse episódio, no Liro I do “Paraíso Perdido”:

“Caiu do amanhecer ao meio-dia,

Do meio-dia até a noite ir.

Um dia inteiro de verão, com o sol

Posto, do zênite caiu, tal como

Uma estrela cadente, na ilha egéia

De Lenos”


Marte (Ares), deus da guerra, era também filho de Júpiter e de Juno.


Febo (Apolo), deus da arte de atirar com o arco, da profecia e da música, era filho de Júpiter e de Latona, e irmão de Diana (Ártemis). Era o deus do sol, como sua irmã Diana era a deusa da lua.


Vênus (Afrodite), deusa do amor e da beleza, era filha de Júpiter e Dione, mas outra versão a dá como saída da espuma do mar. O Zéfiro a levou, sobre as ondas, até a Ilha de Chipre, onde foi recolhida e cuidada pelas Estações, que a levaram, depois, à assembléia dos deuses. Todos ficaram encantados com sua beleza e desejaram-na para esposa. Júpiter deu-a a Vulcano, em gratidão pelo serviço que ele prestara, forjando os raios. Desse modo, a mais bela das deusas tornou-se esposa do menos favorecido dos deuses. Vênus possuía um cinto bordado, o Cestus, que tinha o poder de inspirar o amor. Suas aves preferidas eram os pombos e os cisnes, e a rosa e o mirto eram as plantas a ela dedicadas.


Cupido (Eros), deus do amor, era filho de Vênus, e seu companheiro constante. Armado com seu arco, desfechava as setas do desejo no coração dos deuses e dos homens.

Havia, também, uma divindade chamada Antero, apresentada, às vezes, como o vingador do amor desdenhado e, outras vezes, como o símbolo do afeto recíproco. Contava-se a seu respeito, a seguinte lenda: Tendo Vênus queixado-se a Têmis de que seu filho Eros continuava sempre criança, foi-lhe explicado que isso se dava porque Cupido vivia solitário. Haveria de crescer, se tivesse um irmão. Antero nasceu pouco depois e, logo em seguida, Eros começou a crescer e a tornar-se robusto.


Minerva (Palas), a deusa da sabedoria, era filha de Júpiter, mas não tinha mãe. Saíra da cabeça do rei dos deuses, completamente armada. A coruja era sua ave predileta e a planta a ela dedicada era a oliveira. Byron, em “Childe Harold” refere-se, da seguinte maneira, ao nascimento de Minerva:

“Não podem, por acaso, os tiranos

Senão pelos tiranos ser vencidos,

Não pode mais, acaso, a Liberdade

Achar na Terra um campeão, um filho,

Como Colúmbia, ao irromper, um dia,

Armada e imaculada como Palas?”


Mercúrio (Hermes), filho de Júpiter e de Maia, era o deus do comércio, da luta e de outros exercícios ginásticos e até mesmo da ladroeira; em suma, de tudo que requeresse destreza e habilidade. Era o mensageiro de Júpiter e trazia asas no chapéu e sandálias. Na mão, levava uma haste com duas serpentes, chamada caduceu.

Atribuía-se a Mercúrio a invenção da lira. Certo dia, encontrando um casco de tartaruga, fez alguns orifícios nas extremidades opostas do mesmo, introduziu fios de linho através desses orifícios, e o instrumento estava completo. As cordas eram nove, em honra das musas. Mercúrio ofereceu a lira a
Apolo, recebendo dele, em troca o caduceu.


Ceres (Deméter), filha de Saturno e de Réia, tinha uma filha chamada Prosérpina (Perséfone), que se tornou mulher de Plutão e rainha do reino dos mortos. Ceres era a deusa da agricultura.


Baco (Dionísio), deus do vinho, era filho de Júpiter e de Sêmele. Não representava apenas o poder embriagador do vinho,  mas também suas influências benéficas e sociais, de maneira que era tido como o promotor da civilização, legislador e amante da paz.


As Musas, filhas de Júpiter e Mnémósine (Memória), eram as deusas do canto e da memória. Em número de nove, tinham as musas a seu encargo, cada uma separadamente, um ramo especial da literatura, da ciência e das artes. Calíope era a musa da poesia épica, Clio, da história, Euterpe, da poesia lírica, Melpômene, da tragédia, Terpsícore, da dança e do canto, Érato, da poesia erótica, Polínia, da poesia sacra, Urânia, da astronomia e Talia, da comédia.


As Três Graças, Eufrosina, Aglaé e Talia, eram as deusas do banquete, da dança, de todas as diversões sociais e das belas-artes. Assim descreve Spencer as atividades das Três Graças:

“Ofertam as três ao homem os dons amáeis

Que ornam o corpo e ornamentam a inteligência:

Aspecto sedutor, bela aparência,

Voz de louvor e gestos de amizade.

Em suma, tudo aquilo que, entre os homens,

Se costuma chamar Civilidade.”


Também as Parcas eram três: Cloto, Láquesis e Átropos. Sua ocupação consistia em tecer o fio do destino humano e, com suas tesouras, cortavam-no, quando muito bem entendiam, Eram filhas de Têmis (a Lei), que Jove fez sentar em seu próprio trono, para aconselhá-lo.


As Eríneas, ou Fúrias, eram três deusas que puniam, com tormentos secretos, os crimes daqueles que escapavam ou zombavam da justiça pública. Tinha as cabeças cobertas de serpentes e o aspecto terrível e amedrontador. Conhecidas também como as Eumênides, chamavam-se, respectivamente, Alecto, Tisífone e Megera.


Nêmese era também uma deusa da vingança, que representava a justa ira dos imortais, em particular com os orgulhosos e insolentes.


Pã, que tinha a Arcádia como morada favorita, era o deus dos rebanhos e dos pastores.


Os Sátiros eram divindades dos bosques e dos campos, imaginados como tendo cabelos cerdosos, pequenos chifres e pés de cabra.


Momo era o deus da alegria e Pluto, o deus da riqueza.


Fauno, neto de Saturno, era cultuado como deus dos campos e dos pastores, e também como uma divindade profética. No plural, seu nome era empregado para denominar divindades brincalhonas, os faunos, semelhantes aos sátiros gregos.


Quirino era deus da guerra que se confundia com Rômulo, o fundador de Roma, o qual depois de morto, fora levado para ter um lugar entre os deuses.


Belona era a deusa da guerra.


Terminus, o deus dos limites territoriais. Sua imagem resumia-se numa simples pedra ou num poste, fincado no chão, para marcar os limites que separavam os campos de um proprietário do campo de seu vizinho.


Pales era a deusa que velava pelo gado e pelas pastagens. Pomona a que cuidava das árvores frutíferas e Flora, a deusa das flores.


Vesta (a Héstia dos gregos) velava pelas lareiras. Em seu templo, ardia constantemente um fogo sagrado, sob a guarda de seis sacerdotisas virgens, as Vestais. Como se acreditava que a salvação da cidade dependia da conservação desse fogo, a negligência das vestais, caso o fogo se extinguisse, era punida com extrema severidade, e o fogo era aceso de novo, por meio dos raios do sol.


Liber era o nome latino de Baco; Mulcíber, o de Vulcano.


Jano era o porteiro do céu. Era ele que abria o ano, e o seu primeiro mês até hoje o relembra. Como divindade guardiã das portas, era geralmente apresentado com duas cabeças, pois todas as portas se voltam para dois lados. Seus templos em Roma eram numerosos. Em tempos de guerra suas portas principais permaneciam abertas. Em tempos de paz, eram fechadas. Só foram fechadas, porem, uma vez no reinado de Numa e outra no reinado de Augusto.


Os Penates eram os deuses que atendiam ao bem-estar e prosperidade das famílias. Seu nome vem de
Penus, a despensa, que a eles era consagrada. Cada chefe de família era o sacerdote dos Penates de sua casa.


Os Lares eram também deuses da família, mas diferiam dos Penates porque eram espíritos deificados de mortais. Os lares de uma família eram as almas dos antepassados, que velavam por seus descendentes. As expressões lêmures e larva correspondiam mais ou menos à nossa expressão “fantasma”.


Os romanos acreditavam que cada homem tinha seu Gênio e cada mulher, sua Juno, isto é, um espírito que lhes dera a vida e que era considerado como seu protetor, durante toda a vida. No dia de seu aniversário, os homens faziam oferendas ao seu Gênio, as mulheres, à sua Juno.

Assim alude um poeta moderno a algumas dessas divindades romanas:

“A saborosa fruta ama Pomona

E Liber prefere a vinha.

Pales prefere a estala, a fresca palha

Que o calor do gado aquece.

Vênus ama as palaras sussurrantes

Do joem e da namorada

No doce abril, das árvores à sombra,

Por noite enluarada.” (Macaulay, “Profecia de Cápis”)


Saturno era um antigo deus italiano. Tentou-se identificá-lo com o deus grego Cronos, imaginando-se que depois de destronado por Júpiter, ele teria fugido para a Itália, onde reinou durante a chamada Idade de Ouro. Em memória desse reinado benéfico, realizavam-se todos os anos, durante o inverno, as festividades denominadas saturnais. Todos os negócios públicos eram, então suspensos, as declarações de guerra e as execuções de criminosos adiadas, os amigos trocavam presentes e os escravos adquiriam liberdades momentâneas: era-lhes oferecida uma festa, na qual eles se sentavam à mesa, servidos por seus senhores. Isso destinava-se a mostrar que, perante a natureza, todos os homens são iguais e que, no reinado de Saturno, os bens da terra eram comuns a todos.



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FILÓSOFOS GREGOS

(Fonte: Filosofia pré-socrática , De: Catherine Osborne , Editora: L&PM)

A narrativa que tem sido contada, nos livros escolares e acadêmicos modernos de língua inglesa, sobre a origem da filosofia grega, é sistemática e elegante: ela divide o período antes de Sócrates em três fases, com Parmênides no centro, e caracteriza cada fase por uma abordagem específica a um problema comum. Os filósofos não seguiram um emaranhado de projetos diferentes, mas se ocuparam de uma única busca por uma resposta em questão.
Essa narrativa fala de progresso. Como historiadores de filosofia, gostamos de explicar por que alguma coisa aconteceu depois da outra e precisamos atribuir a certos acontecimentos a função de causadores de uma mudança.
Vemos que os pensadores que sucederam Parmênides tomaram um rumo diferente dos que o antecederam e sugere que, ao aprender a lidar com as dificuldades levantadas por Parmênides, haviam descoberto algumas verdades importantes e aprimorado seus métodos de investigação.
Duas características que pensamos ser particularmente essenciais à filosofia são: primeiro, a disposição de debater abertamente com aqueles que discordam, reconhecendo que há outros pontos de vista com os quais é preciso lidar; e segundo, a necessidade de argumentar em termos que o adversário possa compreender e de respeitar os bons argumentos do outro lado. Podemos nos convencer de que ambas as coisas estavam acontecendo.
Os pensadores podem ser primitivos, e suas questões podem parecer muito estranhas, mas eles estavam, aparentemente, discordando uns dos outros – desafiando e respondendo, um de cada vez, num debate em câmera lenta.
Logo que Tales ( Séc. VII e VI a.C. ), em Mileto, propôs a ideia de que a água é a origem de tudo, os outros sentiram a necessidade de questionar isso: ‘Não da água’, disse um, ‘e sim do ar’; ‘Não do ar’, afirmou outro, ‘e sim, da terra’; ‘De nenhum desses’, disse um terceiro, ‘mas de alguma outra coisa que na verdade não é nada em particular’. Todos queriam explicar, da melhor forma, como o mundo que hoje conhecemos pôde ter se originado de um único tipo de matéria indiferenciada.

[Anaximandro ( Séc. VI a.C. ) acreditava que são coisas indefinidas; Anaxímenes ( Séc. VI a.C. ) acreditava que é o ár; Heráclito ( Séc. VI e V a.C. ) acreditava que é o fogo.]

Essa discussão continuou por algum tempo, com cada colaborador acrescentando uma teoria plausível para explicar como o mundo pode ter assumido a aparência que hoje tem, supondo que sua própria ideia sobre a origem fosse verdadeira.
Algum tempo depois, contudo, por volta da virada do século VI a.C. para o seguinte, sobreveio uma crise. ‘Esse tipo de teoria é uma impossibilidade lógica!’, disse um homem chamado Parmênides, que viveu na região grega do sul da Itália. ‘Uma coisa não pode se transformar em muitas coisas: o um é um e completamente solitário, e para sempre será assim, ou melhor, não será, já que não pode haver tempo futuro, e tampouco passado!’ Bom, todos ficaram perplexos com o arrojado argumento de Parmênides, que ele corroborava com uma impressionante série de provas meticulosas e detalhadas. Se nada pode mudar, e se o que havia antes não pode transformar-se em algo novo, como explicar as estruturas complexas e as diferentes coisas que encontramos à nossa volta? Então, todos resolveram tentar solucionar esse problema. Todos, com exceção de alguns fiéis pupilos de Parmênides.
Então, uma nova torrente de teorias fluiu, advinda dos pensadores do início do século V a.C., a maioria delas contestando Parmênides. ‘Talvez’, eles arriscaram dizer, ‘Parmênides esteja correto ao afirmar que nada se transforma de fato; mas não seria possível que o mundo fosse complexo desde o início? Suponhamos que tudo o que existe hoje já existisse desde o princípio: muitas coisas naquele tempo, muitas coisas agora. Assim, Parmênides pode estar errado ao dizer que sempre houve apenas uma única coisa.’
E então, eles começaram a formular explicações de como o mundo pode ter se originado na forma de muitos tipos de matéria: um disse que havia quatro elementos, outro afirmou que os elementos eram de número infinito, e outro ainda que havia partículas atômicas (indivisíveis) de matéria, pequenas demais para que pudéssemos enxergar a olho nú; mas o que todos sugeriram em uníssono foi que, mesmo que as partículas microscópicas continuassem sempre as mesmas, ainda assim, modificando sua disposição, se poderia chegar a combinações e estruturas que assumiriam muitas formas diferentes. Desse modo, podemos explicar como as estruturas observáveis do mundo estão sempre mudando de maneiras que parecem plausíveis, mesmo que se acredite em Parmênides.

[Parmênides ( Séc. VI e V a.C. ) , Zenão ( Séc. V e IV a.C. ) e Melisso ( Séc. V a.C. ) acreditavam no Um; Empédocles ( Séc. V a.C. ) acreditava na terra, ar, fogo e água e também unia o conceito de monismo com o de pluralismo considerando-os fases de um ciclo infinito, em que as coisas passam de uma só para muitas, e depois voltam a ser uma, consecutivamente; Anaxágoras ( Séc. V a.C ) acreditava em numerosos componentes infinitamente divisíveis; Léucipo e Demócrito ( Séc. V e IV a.C. ) acreditavam em numerosos componentes indivisíveis e o vazio.]

Então, depois de dois séculos de discussões sobre a natureza do mundo, eles deixaram suas dificuldades de lado e o período da primeira cosmologia grega chegou ao fim. Chegara o momento propício para um novo tipo de questão, desta vez sobre a vida humana e os valores morais. Entram em cena Sócrates e os sofistas.


TALES ( 624 a 546 a.C. / Séc. VII e VI a.C. )
Onde vivia: Mileto-Turquia
Ele era uma espécie de cientista e impressionou muito as pessoas de sua época, aplicando suas novas ideias na vida real. Isso lhe permitiu alcançar alguns exemplos famosos de sucesso militar e econômico. Mas ele se tornou mais famoso pela ideia de que o mundo fica onde está porque flutua na água e – dentro do mesmo tema – pela ideia de que todas as coisas do mundo derivam, de algum modo, da água.

ANAXÍMANDRO ( Séc. VI a.C. )
Onde vivia: Mileto-Turquia
Acreditava que coisas indefinidas dão origem à todas as coisas.

ANAXÍMENES ( Séc. VI a.C. )
Onde vivia: Mileto-Turquia
Acreditava que o ar dá origem à todas as coisas.

HERÁCLITO ( Séc. VI e V a.C. )
Onde vivia: Éfeso-Turquia
Acreditava que o fogo dá origem à todas as coisas.

PARMÊNIDES ( Séc. VI e V a.C. )
Onde vivia: Grécia
Parmênides, teria se questionado a possibilidade de que uma coisa possa se transformar em outra.
De acordo com Parmênides, uma coisa não pode se transformar em muitas coisas: o um é um e completamente solitário, e para sempre será assim. Também não existem o tempo futuro e nem o tempo passado.

ZENÃO ( Séc. V e IV a.C. )
Onde vivia: Eleia-Itália-Grécia
Acreditava que o Um dava origem à todas as coisas.

MELISSO ( Séc. V a.C. )
Onde vivia: Samos-Grécia
Acreditava que o Um dava origem à todas as coisas.



EMPÉDOCLES (Séc. V a.C.)
Nacionalidade: Itália
Acreditava que terra, água, fogo e ar dão origem à todas as coisas.
Empédocles, foi um filósofo pré-socrático que viveu em Agrigento na Grécia Antiga.
Empédocles acreditava que o Amor e a Discórdia regiam todas as coisas do Universo. Sendo que as coisas se atraem por Amor e se afastam por causa da Discórdia.
Dizia ainda, que antes, todas as coisas era uma coisa só em amor, até que a discórdia começou a distinguir o universo em muitas partes, e que um dia esse processo se reverterá, e assim por diante em um eterno ciclo.
Empédocles também definiu os quatro elementos essenciais da matéria, como: água, fogo, terra e ar.

Palavras atribuídas a Empédocles:
“Uma dupla narrativa empreenderei. Em determinado instante tornaram-se uno
A partir de muitos e, em outro, voltaram a dispersar-se para ser muitos a partir do uno.
Dupla é a gênese das coisas mortais e duplo é o seu desaparecimento:
Uma é gerada e destruída pela agregação de tudo,
A outra é criada e se dissipa quando tornam a dispersar-se as coisas.
E nunca cessa esta sua contínua transformação,
Ora convergindo todas num todo por obra do Amor,
Ora tornando a afastar-se por obra do ódio da discórdia.
Assim, conquanto tenham aprendido a formar um uno a partir da pluralidade
E a novamente tornarem-se múltiplas à medida que se desagrega o uno,
Nessa medida são engendradas, e efêmera é sua existência;
Porém, conquanto jamais cessa sua contínua transformação,
Nessa medida existem para sempre, imóveis em um círculo.
Mas vem, atenta em minhas palavras; pois o aprendizado à mente alarga.
Conforme antes já disse ao revelar os limites de minhas palavras,
Dupla é a narrativa que empreenderei. Em determinado instante, tornaram-se uno a partir de muitos e, em outro, voltaram a dispersar-se para ser muitos a partir do uno-
O fogo, a água, a terra e as infindáveis alturas do ar, e a funesta Discórdia à parte eles, em toda parte equilibrada,
E entre eles o Amor, igual em comprimento e largura.”

“Existe um oráculo da necessidade, antigo decreto dos deuses,
Eterno, selado por amplos juramentos
Segundo o qual sempre que alguém incorre em erro e mancha, temeroso, seus caros membros
Todo aquele que, tendo incorrido em erro, comete perjúrio
- um daqueles espíritos agraciados com longa vida – há de vagar três vezes dez mil anos longe dos bem-aventurados.
Tornar-se, em seu tempo devido, todas as espécies de mortais,
Trocando um penoso caminho de vida por outro;
O poder etéreo precipita as almas ao mar
O mar cospe-as para o alto em direção à terra, a terra em direção aos raios
Do radiante sol, e o sol as lança em direção aos turbilhões do éter;
Cada qual as recebe de outro: todos as odeiam.
Este é o caminho que ora percorro, fugitivo que sou dos deuses, e uma alma errante.
Na insana Discórdia confiei.”

“... distanciar-se uns dos outros e então encontrar seus destinos, muito contra suas vontades, nas mãos de uma necessidade amarga que tudo corrói; mas para nós que agora temos amor e boa vontade haverá no futuro as Harpias com vereditos de morte. Ah! Que o dia cruel me tivesse destruído antes que eu, com minhas garras, tramasse feitos terríveis a respeito de comida.”

ANAXÁGORAS ( Séc. V a.C )
Acreditava que numerosos componentes infinitamente divisíveis dão origem à todas as coisas.

LEUCIPO ( Séc. V e IV a.C. )
Acreditava que numerosos componentes indivisíveis e o vazio dão origem à todas as coisas.

DEMÓCRITO ( Séc. V e IV a.C. )
Acreditava que numerosos componentes indivisíveis e o vazio dão origem à todas as coisas.

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(continua...)

Paganismo e Cultura Celta:


PAGANISMO

( FONTE: PAGANISMO Uma Introdução da Religião Centrada na Terra , De: Joyce & River Higginbotham, EDITORA: MADRAS )



Diferentemente de algumas religiões, “tornar-se” um Pagão não tem a ver com acúmulo de informações ou conhecimento, tornar-se teologicamente um adepto, memorizar um texto sagrado ou adotar um sistema de crenças pré-determinado. Em vez disso, tornar-se Pagão geralmente envolve aprender como abandonar o apego ao dogma, conceber sistemas de crenças o mais objetivamente possível, aceitar a responsabilidade pelas crenças e princípios que você escolhe adotar, e tomar a responsabilidade pelas consequências de suas crenças como são mostradas ao comportamento. Em
algumas religiões, o desenvolvimento espiritual é avaliado pelo grau com que você conhece o sistema de crenças e adere a ele em sua vida diária. O desenvolvimento espiritual no Paganismo pode ser medido pela maturidade de suas ações e o grau com que você participa na interconexão com o Universo.


Paganismo, também denominado Neopaganismo, é um novo movimento religioso cujos adeptos são encontrados pelo mundo todo. Paganismo é um termo tipo “guarda-chuva” que descreve uma variedade de denominações – conhecidas pelos Pagãos como “tradições” – as quais em sua maioria
organizam a si mesmas e operam sem um corpo religioso centralizado ou dogma padronizado.

Tradições comumentes incluídas no Paganismo:

Celta; Druidismo; Wicca; Tradições Familiares; Magia Cerimonial; Santeria; Solitário; Misto; Asatrú; Vodu; Eclético; Xamanismo



A crença de que cada parte do Universo está profundamente interconectada dá forma ao modo com que os Pagãos visualizam a natureza do Divino, os tipos de relacionamentos possíveis com o Divino e o Universo e molda a abordagem Pagã sobre a oração e a magia.

A maioria dos Pagãos acredita que todas as partes do Universo, sejam elas “animadas” ou “inanimadas”, estão conectadas em níveis muito profundos que se estendem além das fronteiras do espaço-tempo como nós a conhecemos. Por causa dessa interconexão, muitos Pagãos acreditam que são capazes de interagir com o Universo e o Divino como co-criadores.

A crença de que cada parte do Universo é abençoada em sua natureza, e que não há nada de errado com o Universo ou com você, significa que o propósito da prática espiritual do Pagão difere daquele de religiões focalizadas em questões de purificação e salvação. O Paganismo sustenta sua posição de que os seres humanos são perfeitos em suas naturezas, não são espiritualmente condenados ou amaldiçoados, nascem com todas as ferramentas e habilidades necessárias para viver ética e espiritualmente e são naturalmente voltados para seu próprio crescimento e desenvolvimento.

Certemanete, os Pagãos acreditam que a humanidade pode melhorar a si mesma, mas os Pagãos não equacionam a habilidade humana de fazer más escolhas com uma natureza imperfeita.


O Paganismo é uma religião. Como em outras religiões, os Pagãos buscam respostas para questões atuais como qual é o sentido da vida, o que acontece depois da morte, Deus existe, qual é nossa natureza básica e como interagimos com o Universo superior. Os Pagãos procuram essas respostas no contexto de uma comunidade religiosa e social. Os Pagãos encontram-se em igrejas, casas ou ar livre e reúnem-se em grupos que podem ser chamados, entre outras coisas, círculos, convenções, igrejas ou clareiras. Diferentemente de membros de outras religiões, entretanto, os Pagãos geralmente não convertem as pessoas ativamente. Eles não enviam missionários, não realizam ressurgimentos ou tentam ganhar conversões. Quase nenhum dos Pagãos que conhecemos se “converteu” ao Paganismo no sentido tradicional. Eles tornaram-se Pagãos depois de decidir que o Paganismo refletia o que eles já acreditavam e então adotaram o termo “Pagão” para descrever a si mesmos.

Como em outras religiões, os Pagãos possuem clérigos que realizam tarefas religiosas, tais como casamentos e funerais. Os Pagãos também observam um ano sagrado e têm feriados religiosos e outras celebrações. A maioria das tradições Pagãs modernas é descrita como “centradas na terra”. Os feriados Pagãos frequentemente caem em datas que marcam a mudança das estações ou são de outra forma sazonalmente importantes.

O Paganismo não possui hierarquia central ou dogma, apesar de que tradições individuais podem adotar uma estrutura de governo interna e crenças específicas. Alguns caminhos Pagãos possuem um foco étnico específico, tal como Tradicionalistas Asatru, Africanos e Celtas. Outros colocam juntas muitas crenças religiosas e práticas Pagãs e não-Pagãs e as misturam em uma única expressão religiosa, tal como o caminho Eclético e Blended. Muitos Pagãos gostam da diversidade espiritual e não achariam apropriado que todos os Pagãos acreditassem nas mesmas coisas, realizassem suas práticas da mesma forma, ou se organizassem sob a mesma estrutura.

A maioria das religiões Pagãs enfatiza a responsabilidade pessoal e coloca o fardo do desenvolvimento de práticas espirituais, crenças e ética sobre o indivíduo. Mesmo aquelas tradições que oferecem crenças e métodos estabelecidos encorajam seus membros a testar idéias para que construam os músculos mentais necessários para julgar quão ortodoxas são as crenças por si mesmas. Aquelas tradições que oferecem diretrizes morais também tendem a encorajar seus membros a explorar idéias éticas para que os membros possam encontrar seu próprio senso ético e formar sua consciência de acordo com isso. Com essa liberdade, vem uma responsabilidade correspondente; uma responsabilidade pelas crenças, comportamento e grau de desenvolvimento espiritual de cada um.

A maioria dos Pagãos acredita que este Universo vivo é capaz de comunicar-se com todas as partes de si mesmo em um ou mais níveis, e estas partes podem escolher cooperar entre si para fins específicos. Os Pagãos chamam essa cooperação de magia.

O Paganismo é um modo de viver, orar e se conectar com o fluxo do Universo.

Práticas espirituais entre os Pagãos são bastante variadas e incluem de tudo, do ritual formal à meditação, caminhadas em silêncio, canto, dança, cura, adivinhação, êxtase sexual, trabalho com ervas, jardinagem e massagem. Exatamente qualquer atividade pode ser incorporada por um Pagão em sua espiritualidade.

A palavra “Pagão” vem do termo latino “paganus” que significa “habitante do campo”. Ele pode ter sido um termo pejorativo. Como o termo “pagão” tendeu a possuir um sentido negativo, ele foi adotado mais tarde como um insulto. Durante as Cruzadas, os Cristãos denominaram os Muçulmanos de “pagãos” e, mais tarde, os Protestantes e Católicos atacavam-se uns aos outros com esse termo. Desde que a palavra “Pagão” foi adotada pelo movimento Pagão, alguns de seus estigmas antes percebidos têm diminuído. Alguns Pagãos não gostam dessa palara e usam outros termos para descrever seus caminhos, tais como Religião Tradicional Africana, Espiritualismo Nativo, Espiritualismo Celta, Heathenry, Espiritualismo Centrado na Terra, Espiritualismo Tradicional Europeu, a Velha Fé e a Religião Antiga.

O termo “Pagão”, acima de tudo, refere-se a culturas arcaicas, tribais e geralmente pré-Cristãs que estão extintas em sua maioria. Para evitar confusões entre o Paganismo histórico e o movimento moderno, muitos cientistas sociais e também Pagãos decidiram que preferem o termo “Neopagão”.

(continua...)